sábado, 29 de maio de 2010

A fraude do senso comum!

A grande expectativa da sociedade, neste momento e impulsionada pelas doutrinas mais primárias e conservadoras, é que acabando com o RSI, com os subsídios e reduzindo os funcionários públicos, toda essa gente se integre na actividade económica privada e comece a produzir. Coitados deles e coitados de nós. Ainda não perceberam que num mundo globalizado há pouco de interessante para produzir; A China produz têxteis ao preço da chuva, os EUA cereais, a Índia software, Taiwan hardware, o Japão e a Alemanha produzem veículos e electrodomésticos, a América do Sul carne e peixe que sobra. Quase tudo o que precisamos é feito noutros lados de forma ultra-competitiva. Acabando ou reduzindo a redistribuição, com o argumento fatalista da falta de dinheiro, apenas nos sobra o abismo à frente, ou o retorno ao modelo da mão de obra barata (que é como quem diz, quase escrava, mesmo). Afinal, em que mundo é que esta gente vive?


Como é evidente, o caminho tem que ser outro. Oxalá estejamos preparados para o delinear.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Eurosondagem para a SIC, Expresso e Visão!

PS - 36%,  PSD - 28,5%,  CDS - 13%,  BE - 8%,  CDU - 8%

Esta sondagem feita pela a Eurosondagem para a SIC, Expresso e Visão foi realizada após a eleição do novo lider do PSD, Pedro Passos Coelho. Além das intenções de voto caso as eleições fossem hoje, a sondagem revela ainda o reforço da popularidade de José Sócrates e de Cavaco Silva.
É particularmente interessante porque é feita já com os dados todos em cima da mesa. O desenho do espectro de candidaturas presidenciais não deverá alterar-se e o mesmo se pode dizer para os partidos e as suas aspirações em eleições legislativas.
É inevitável a leitura de que os cidadãos previligiam a regularidade e a capacidade dos politicos para apresentar propostas governativas. Assim, dá-se o reforço das figuras de Estado, que saem pouco penalizadas pelos chamados "casos". Dá-se tambem o reforço do PS em relação ao PSD, apesar do elan da eleição do novo lider. E até o CDS acaba por ver as suas posições reforçadas, fruto duma actuação que, goste-se ou não, é persistente e sistematizada.
A manterem-se assim as sondagens dificilmente alguem tem vontade de abrir uma crise politica, o que é muito bom para a governabilidade do país numa situação tão critica.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Negócios chorudos!



Na ânsia de encontrar qualquer coisita com que incriminar José Sócrates, a direita, devidamente orientada pelas eternas mãos invisíveis da comunicação social (que agora já tem nome; Manuela Moura Guedes, Moniz, José Manuel Fernandes, etc.) abriram a caixa de pandora. Estão agora perante a galeria de horrores com que se vão condenar.
Submarinos, Contrapartidas, Pandur, Helicópteros, etc., milhões e milhões de euros ao desbarato, com a justiça alemã à perna, todos com a chancela PSD e CDS.
Como sempre, não se devem misturar os planos politico e criminal. A justiça fará o seu caminho desde a Alemanha e ainda havemos de chegar a saber se houve ou não ilícito criminal e quem foram os tais membros dos dois partidos que alegadamente beneficiaram dos negócios.
Já quanto às questões politicas, podemos tirar enormes ilações, até porque neste caso elas desembocam precisamente nas questões criminais. Irónico, no mínimo. É que mais do que a investigação alemã, é difícil não conjecturar sobre implicações criminais, sendo o que daí resultar ser a única coisa que pode justificar tamanha incúria da defesa dos interesses nacionais (politica, portanto). Contrapartidas que não existem, Carros de combate que não funcionam ou tem defeitos, helicópteros sem assistência, etc. configuram um cenário de lesa pátria que não pode ser ignorado.
A sensação que dá é que dali ninguém sai vivo. Nem mesmo essa "grande figura da democracia" chamada José Manuel Durão Barroso. Bem podem as velhas forças vivas do regime estrebuchar, que depois do verdadeiro tiro no pé que deram na comissão de ética da AR e agora com os "submarinos", o povo português não vai desviar tão cedo o foco de atenção e vai continuar a apoiar o único referencial mínimo de dignidade na vida publica.

terça-feira, 30 de março de 2010

Hoje foi dia de recados!

Ribeiro e Castro teve o seu momento, mas Ângelo Correia foi muito mais longe. Para bom entendedor não ficou quase nada por dizer e aquilo que foi dito vai pautar a actividade política do maior partido da oposição nos próximos tempos. Colocou Cavaco no seu devido lugar, propôs Pinto Balsemão para o tal de “Conselho Superior” e disparou mensagens em todas as direcções. O que é bom em Ângelo Correia é que se entende sempre ao que vem. E nem precisa de dizer muito, só é preciso estar atento. Um dia, mais lá para a frente, Pedro Passos Coelho vai-se deparar com algum melindre, mas da forma como conseguir resolver as questões com o “terrível Ângelo” se verá se tem fibra de líder ou se vai ser apenas mais um.

segunda-feira, 29 de março de 2010

José Ribeiro e Castro

José Ribeiro e Castro disse hoje o que muitos não têm coragem de dizer. Que gostava de ver o país governado por uma maioria de direita liderada pelo CDS. E justificou bem. Sabemos que é difícil, quase impossível. Não é aquilo que queremos, nem de longe nem de perto, mas a politica precisa deste lado de desafio, de ambição e até de utopia. Estas coisas só surgem de quem vive intensamente as suas convicções e isso faz falta, é preciso.

sábado, 27 de março de 2010

Perguntas obrigatórias 4

Depois da pressão vergonhosa sobre os orgãos nacionais do PSD aquando da Lei das Finanças Regionais;
Depois de ter feito aquele numero retrogrado no ultimo congresso do PSD;
Depois de ter manobrado os votos da madeira, onde Paulo Rangel chegou aos 88%;
Depois de anos e anos de autênticos números de circo à custa do dinheiro dos contribuintes,

Será que é desta que Alberto João Jardim entende que o seu tempo politico acabou?

Sobre as eleições no PSD!

terça-feira, 23 de março de 2010

Sobre o debate PSD, um pouco por todo o lado.


"Quanto ao debate do PSD, parece-me que Aguiar-Branco venceu esta batalha, mas que Passos ganhou a guerra. Castanheira parece merecer um lugar de deputado nas próximas listas e Rangel caiu na casca de banana de um advogado de rabo pelado e voltou a não emergir como o encoberto em noite de nevoeiro.
Passos, melhor do que os outros em economia e finanças, até aguentou no caso do PGR e do MP, perante a tentativa de emissão ex-catedra e lentífera de um assistente de direito à procura de tese, esboçando o tradicional argumento de autoridade, um pedacinho gnóstica. O mesmo Passos, prefigurando-se já como líder do PSD, interessou-lhe que Branco malhasse no ex-irmão de facção. E preferiu pairar em discurso redondo, para que cavaquistas e anticavaquistas, sociais-democratas e liberais, nele se revissem. Por outras palavras, ao não perder, venceu...
Passos cumpriu os prévios ensaios e conseguir emitir a mensagem do princípio ao fim, já com direito a indirectas e farpas sobre Rangel. Este, habituado aos aplausos dos que o confundem com o messias, demonstrou não ter recursos de diálogo para a chamada conversa. Por outras palavras, foi mal treinado para a normalidade da palavra posta em discurso, a que os gregos chamavam "logo" e que costumamos traduzir por razão. Parece só saber falar de palanque para as palmas e não reparou que nem todos os adversários são vitais...
Aguiar-Branco foi a todas, assumiu o cavaquismo e o maneleirismo, o sá-carneirismo e o menezismo,l soube manter a camaradagem jota com Passos e mostrou que respira política com alma e categoria. Eu que, dele desconfiava, por causa do maneirismo, rendi-me à qualidade, ao contrário do que previamente julgava de Rangel, cujas expectativas saíram frustradas...
Não tenho dúvidas que Sócrates, se o deixassem votar, escolheria e mandaria escolher Paulo Rangel. Era porreiro, pá!" José Adelino Maltez

Que miséria!

São tão fraquinhos, mas tão fraquinhos que, de repente, Castanheira Barros até pareceu possível. quase me consegui esquecer dos túneis entre as ilhas dos Açores. Ainda assim, há que reconhecer que o que menos se perdeu foi Passos Coelho. E conseguiu fechar bem fazendo uma quadratura do circulo em que deixou os outros sem resposta possível.

Paulo Rangel e a célebre "ruptura"!


segunda-feira, 22 de março de 2010

Confesso-me surpreendido, já não esperava por tanto!

Estados Unidos
Obama faz história com aprovação da reforma da saúde

Ao fim de pouco mais de um ano na Casa Branca, o Presidente Barack Obama pode reclamar um extraordinário feito político que escapou aos seus antecessores nos últimos cem anos: a assinatura da mais profunda reforma do funcionamento do sistema de saúde norte-americano, que aproxima os Estados Unidos da cobertura universal em termos de cuidados médicos. Público

terça-feira, 16 de março de 2010

PEC para que te quero!

Convenhamos, é muito difícil a direita arranjar argumentos para não viabilizar o PEC. Toda a estratégia possível de contenção da despesa e da divida está lá presente. O PS sabe isso e daí que propôs o documento à discussão na Assembleia e requereu a sua votação.
Os partidos à esquerda não iriam nunca dar o seu aval a um documento que propõe uma consolidação das contas públicas do lado da despesa. Restam, tal e qual como no Orçamento de Estado para 2010 os partidos à direita. Mais consequentes em relação ao regular funcionamento das instâncias financeiras internacionais.
Claro que vão levantar questões, claro que vão apontar milhares de contradições ao Primeiro-Ministro e ao Ministro das Finanças, claro que sim. Mas no fim o PEC vai passar. E vai passar porque independentemente de opções pontuais distintas, que cada um poderia ter, eles sabem que nesta linha estrutural do poder, nada mais há a fazer. Nenhum deles faria nada de muito diferente e, por não poderem correr o risco eleitoral (preconceitos de direita, claro) seriam até bem menos eficazes.
Vejamos mais em detalhe:
- Introdução de um novo escalão de IRS – Aqui está algo que a direita nunca faria, mas em boa verdade a medida é mais simbólica do que efectiva. Introduz uma componente de justiça social num plano que procura mostrar que não são só os mais pobres a pagar a crise. Quanto a resultados efectivos, não é muito o que o Governo pretende obter por essa via.
- Tributação das mais-valias – Aqui está outra coisa que a direita nunca faria, mas segue exactamente a mesma linha da medida anterior, com a agravante que o Governo vai diferi-la no tempo. Portanto a forma é distinta mas o resultado é parecido e o que se pretende alcançar é uma estabilidade financeira que não permita tumultos em tempo de crise.
- Redução dos benefícios fiscais – A direita bem pode apelidar de injusta esta medida, bem pode apresentar a s contradições de José Sócrates, mas em termos de táctica politica foi mesmo na mouche. É que a direita mais erudita, da qual os partidos se servem para os aspectos doutrinários, sempre se mostrou contra estas práticas que dizem socializantes. Como vão agora ser firmes contra uns pequenos ajustes? Qualquer um de nós desmonta isso em três tempos.
- Cortes nas grandes obras públicas, TGV e Auto-estradas – Claro que quem passou os últimos anos a criticar estes investimentos, não pode vir agora criticar a sua redução a metade. Para eles, o ideal seria nada, mas metade já é melhor do que tudo, não é? Com que moral criticam o adiamento da linha do norte do TGV, se nunca quiseram nenhuma? Eu posso criticar, já que investi fortemente a minha opinião na realização dessa infra-estrutura essencial para o desenvolvimento do país, a direita não pode. E com que moral se critica o adiamento de uma ou duas auto-estradas depois de se ter passado anos a ridicularizar a construção de mais estradas e a politica do betão? Evidentemente, não pode (mas aposto que Paulo Portas vai cair nesta).
- Introdução de portagens nas SCUT’s – Ora batatinhas, isto estava previsto no consulado Ferreira Leite / Paulo Portas. Podem alegar que afinal tinham razão, e eu acho que sim (João Cravinho também tem, mas só com a economia a crescer acima dos 3%, o que não se afigura próximo), mas não podem criticar, porque afinal era o que queriam implementar. Haja seriedade. É importante é que o principio do utilizador / pagador seja implementado de igual forma por todo o território ou, caso seja feita alguma descriminação positiva, ela tenha incidência sobre as regiões mais pobres.
Talvez haja ainda mais algumas linhas políticas que me escaparam, mas a tónica vai ser esta. O PEC vai ser viabilizado. Aliás, como poderia ser de outra forma se a própria Comissão Europeia, através de Durão Barroso, e o Eurogrupo, já vieram elogiar o documento?
Outra coisa é se o PEC vai ser cumprido. Mas conhecendo este Primeiro-Ministro, conhecendo este Ministro das Finanças e conhecendo os portugueses, quer-me parecer que sim, que vai. Já o fizemos no anterior e vamos faze-lo novamente.

Rescaldo de Mafra

Verifico que a maioria da opinião publicada avaliou de forma positiva, muito positiva para o PSD, o discurso de Marcelo Rebelo de Sousa no Congresso de Mafra. Não penso assim. Acho mesmo um discurso perigoso para um partido que, como se afirma, vai definhando e corre o risco de passar de partido da alternância do poder, para apenas mais um partido com assento parlamentar.
Vejamos, qual deve ser a linha de preocupações de um partido de poder que se encontra na oposição. Reajustar pressupostos ideológicos e questões de principio aos tempos (caso o entendam como necessário) encontrar uma linha programática adequada e escolher os protagonistas. Nada mais, simples directo e eficiente.
O que é que o mesmo partido não deve fazer; perder-se em tricas, discutir estratégias à porta aberta, revelar tácticas. Exactamente o que Marcelo fez. Marcelo e Santana, para alegria dos jornalistas presentes. Nestes congressos há sempre uns Fernandos Costa para estas coisas, que não podem nem devem ser feitas pelas figuras de proa, sob pena de condenar o partido ao descrédito.
Marcelo Rebelo de Sousa discutiu a estratégia e revelou a táctica. Maioria absoluta de direita é, para ele, o caminho. Se o congresso o ouvisse, e decidisse, ou se o ouviu e assim decidir, Paulo Portas fica desde já com o melhor seguro de vida a que poderia almejar. Vai discutir alianças no pior momento da história do PSD, e com o ás de trunfo na mão; é o tudo ou nada.
O mais irónico é que Marcelo persiste no erro. Já o cometeu antes e tenta agora persuadir os outros a percorrerem o mesmo trilho. Mais uma vez a história do lacrau e do crocodilo, é da sua natureza.
Ao fim e ao cabo, qualquer um dos três candidatos a líder está melhor preparado para o cargo. Paulo Rangel não disse nada, por isso não se comprometeu. Passos Coelho disse muito, quase tudo irrelevante, mas também não comprometeu (os votos de jardim são votos de militantes da Madeira, quem estiver à espera disso para ser um bom governante, mais vale nem tentar). Aguiar Branco, porventura o mais interessante dos três, disse algumas coisas nas quais vale a pena reflectir, nomeadamente no que diz respeito às perspectivas económicas para o futuro de médio prazo. Não comprometeu mas não vai ter hipótese.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Finda que está a asfixia democrática...

...aliás finda e engarrafada pela “Lei da Rolha” do conclave laranja, as faces ocultas e tentativas de demonstrar tenebrosos atentados à liberdade de expressão tenderão a deixar de ser notícia.
Poderá então Sócrates dormir descansado e no dia seguinte acordar para mais uma jornada de governação deste nosso Portugal?
Pois parece que não. Ainda hoje é segunda-feira e já os “braços armados” da estratégia botabaixista estão em campo:
1. O Correio da Manhã já anuncia nova vaga de investigações sobre o Freeport, deslocações a Londres, mais o fim do mundo em cuecas. Pergunta-se: mas há algum facto novo? Pois parece que não. É só corpo de noticia para fazer manchete sem nada, mas absolutamente, nada de novo que se acrescente ao caso.
2. Já o Público é mais rebuscado, e desta vez vai a fundo numa investigação de algibeira, sobre uma casa onde supostamente José Sócrates viveu e cujas obras não teriam sido correctamente licenciadas pelo respectivo promotor imobiliário. Noticias que não são notícia mas que se fazem notícia porque o jornalista arranja forma de lá colar o nome do PM.
Como se supõe que Sócrates já tenha alguma vez passado um sinal vermelho, ou pelo menos estacionado em lugar proibido, ainda vamos ver manchetes do tipo: Multa de José Sócrates desaparece misteriosamente; à data era Armando Vara quem dirigia a Fundação para a Prevenção Rodoviária.

domingo, 14 de março de 2010

O fim da “tanga”, da “asfixia democrática” e da “politica de verdade”.

Fernando Costa, presidente da Câmara Municipal das Caldas da Rainha pelo PSD, arrasou com a “asfixia democrática” e com a “politica de verdade” enquanto discurso politico que esteve na base do argumentário do PSD nos últimos anos.
Preto no branco, pôs a nu toda a retórica vergonhosa com que o PSD nos brindou, revelando todo o sectarismo, toda a mentira e toda a falta de vergonha que esteve por trás da liderança do PSD .
Inequivocamente, sem papas na língua, disse com todas as letras como Passos Coelho foi escorraçado, como Miguel Relvas foi escorraçado, mas mais importante, disse que há presidentes de Câmara do PSD que tem medo, medo de falar.
Esta é a direcção do PSD que pratica o “delito de opinião” e o condena. A direcção de Manuela Ferreira Leite, que fez como suas bandeiras a “politica de verdade” e a “asfixia democrática”, foi desmascarada pelo próprio partido, em pleno congresso e em directo para todo o país ver.
É a vida, mas é também o fim de um ciclo dos que tentaram tomar o poder com base na mentira, na calúnia e na maledicência.

Fernando Costa, Presidente da Câmara das Caldas...

"vocês (direcção nacional do PSD) deviam ter vergonha do que fizeram!
Escorraçaram Pedro Passos Coelho, escorraçaram Miguel Relvas!"


"Eu não tenho medo, mas há presidentes de câmara (do PSD) que tem!"

Aqui está a asfixia democrática…

sábado, 13 de março de 2010

Isto tinha mesmo que transcrever...


"É muito difícil encontrar católicos, mesmo quando os procuramos dentro das igrejas. Já encontrar quem tenha opiniões acerca da religião católica, é mais fácil do que pisar beatas à porta de um café. Os padres devem poder casar? Saltam logo retumbantes apoios ao casório. As mulheres devem poder ser ordenadas? Caem do céu inflamados protestos contra o atraso de dois mil anos na implementação dessa paridade sexual. A Igreja deve ficar calada quanto ao aborto? Levantam-se clamorosas vozes a exigir que os religiosos deixem de perturbar a sociedade secular com a expressão pública das suas aberrações teológicas.
Muito bem. Não há problema algum com este fenómeno onde indivíduos que não são católicos, nunca o foram, nem se imaginam a ser, desatam a emitir sentenças a respeito de matérias cuja história e racionalidade ignoram. Nenhum problema, dado que é nessa civilização da liberdade, mesmo daquela liberdade que não sai da ignorância, que apetece viver. O problema é não se prolongar o interrogatório. Por exemplo, que pensam essas pessoas do dogma da virgindade de Maria? Faz sentido manter essa léria ou há vantagem em reconhecer que o velho José sempre molhou a sopa na miúda? E quanto aos milagres relatados nos Evangelhos, devemos ignorar as evidências científicas que nos garantem não existir milagre algum neste mundo, à excepção da actual época do Benfica? Já agora, tendo em conta a complicação em que se tornou a concepção trinitária de Deus, não será preferível fazer uma versão simplificada onde a divindade seja descrita como um Noddy de barbas?
Até pagava para conhecer essas respostas."
Val, no Aspirina B

Conclave laranja (resumo da tarde)

Muito bom congresso, ao contrário dos candidatos. Ninguém diz nada de muito relevante, mas pelo menos sente-se que andam à procura de um rumo.
Já os candidatos…
Paulo Rangel, francamente, que miséria! Fala bem, galvaniza, mas não diz coisa nenhuma. Vazio, vazio, vazio.
Passos Coelho, francamente, que miséria! Mas para que raio interessam os seus melindres privados, e as suas dúvidas existenciais?
Aguiar Branco, francamente, ainda é o melhorzinho dos três. Não tem grandes atributos tribunícios, não tem grande apoio das bases, mas pelo menos alinha duas ou três ideias com o mínimo de coerência.
Portanto, em jeito de resumo da tarde, valeu a intervenção de Santana Lopes, emotiva como sempre, mas desta vez bem alinhada, direccionada e orientada. Só foi pena estar demasiado voltado para o passado.

Que decepção!

Marcelo Rebelo de Sousa oscilou entre o obvio, no inicio do discurso, o passadismo, a meio e a propósito das estratégias que defende, e os recados, mais para o fim.
O óbvio todos sabemos o que é. O passadismo são aquelas estratégias tipo AD antes do tempo. Quanto aos recados, o mais importante foi a grande crítica à demagogia do próprio partido quanto às posições assumidas pelo PSD na Assembleia da República, nomeadamente votando ao lado do PCP e do Bloco de Esquerda em questões de princípio. Só para reforçar coligações negativas contra o PS.
Talvez por isso tenha sido tão parco em elogios à Dra. Manuela Ferreira Leite.

Perguntas obrigatórias 3

“Portugal é um País com um elevadíssimo défice alimentar”. Cavaco Silva

Duas perguntas obrigatórias que se impõe:

- Foi o Presidente Cavaco que disse isso ou foi a má consciência do Primeiro-Ministro Cavaco, cujos programas ao abrigo dos fundos comunitários pagavam milhões e milhões aos agricultores para NÃO PRODUZIR?

- Esta temática, em dia de congresso laranja, foi encomendada por Paulo Rangel?